domingo, 30 de novembro de 2014

O maior espetáculo da Terra, ou Paul McCartney ao vivo.

Quarta-feira, 26/11, 21h00 no estádio do Parmêra, foi onde realizei um dos maiores sonhos da minha vida e o de qualquer cara pirado por rock (por boa música, pra falar a verdade). Meu encontro com a nobreza inglesa, o maior espetáculo da Terra, Paul McCartney ao vivo.

Expectativa e ansiedade definiram meu dia todo até a entrada no estádio. Uns 10 minutos após a entrada, eis que começa a chuva no estádio. Pra lavar a alma dos amantes da boa música. A espera é sempre angustiante, mas a recompensa vale cada minuto.

Com aproximadamente 40 minutos de atraso, Sir Paul McCartney sobe ao belo palco ao lado de sua indefectível banda e qualquer angústia pela espera se esvai. Empunhando seu fiel companheiro, o lendário baixo Hofner Icon e com uma disposição do alto dos seus 72 anos de fazer inveja a muito moleque por ai, começa em ritmo frenético com a cacetada (urrada a plenos pulmões por este escriba) "Magical Mistery Tour", o que por si só já me deixa atônito, pois não tinha ideia de que essa entraria em qualquer setlist (embora o cara tenha tantas opções que todos os shows seriam uma nova surpresa). Cantando como nunca, engolindo seu contrabaixo com a mesma fúria e destreza de sempre, e mostrando porque era o melhor músico dos fab-four (em termos de competência, habilidade e musicalidade), reveza entre violões (de 6 e de 12 cordas), guitarras, piano e até ukulelê (na homenagem ao eterno George Harrison, "Something"). Todas as pessoas importantes para o cara merecem a devida homenagem e momento de carinho: George como disse acima, Lennon em "Here Today", Linda em "Maybe I'm Amazed" e sua atual esposa Nancy em "My Valentine" (com um clipe genial que conta com Johnny Depp e Nathalie Portman interpretando a letra da música em linguagem de sinais. Coisa de gênio).

Paul faz um passeio desenvolto por toda a sua carreira, sua fase com os Wings, a fase atual (o disco mais recente tá animal, fora de brincadeira) e a fase Beatle, que a cada nova canção tocada, é comemorada por todos como gol em final de copa do mundo. Paul sabe dosar as fases com maestria e consegue agradar a todos. Traz pirotecnia e explosões em "Live and Let Die" (com direito a canhões no palco e fogos de artifício do lado de fora do estádio. De fazer muita banda metida a espetáculos mais teatralizados corar de vergonha. Paul te ganha pelo simples, isso aqui é só um plus).   Encerra a primeira parte com "Hey Jude" (vejo emoções e lagrimas por todos os lados e as quase 50 mil pessoas cantando o "Na na na" mais famoso da história do rock como se não houvesse amanhã. Coisa linda) e ainda volta pra mais dois "bis", encerrando de maneira épica com "Helter Skelter" e "The End".

Paul tem controle total da situação. Rege tudo como um maestro, banda e público, é o soberano dos palcos e faz do seu ganha pão um espetáculo mais do que digno da grandiosidade que se espera de verdadeiros artistas (o que esse cara faz desde o começo dos anos 60 é arte pura, feita com competência e alma, o que não é pra todos).

Apagam-se as luzes do palco, já era o fim (dessa vez sem bis), só vejo sorrisos, de todos os lados. Já passava da 0h30, um monte de gente não tinha a menor ideia de como voltaria pra casa, mas assim como eu, saiu do belo estádio do Parmêra com a alma lavada, pela perfeição musical e pela chuva. Revigorante como cachoeira, mágico como só o rock é capaz de ser.

Set list:
1- Magical Mystery Tour
2- Save Us
3- All My Loving
4- Listen to What the Man Said
5- Let Me Roll It
6- Paperback Writer
7- My Valentine
8- Nineteen Hundred and Eighty-Five
9- The Long and Winding Road
10- Maybe I’m Amazed
11- I’ve Just Seen a Face
12- We Can Work It Out
13- Another Day
14- And I Love Her
15- Blackbird
16- Here Today
17- New
18- Queenie Eye
19- Lady Madonna
20- All Together Now
21- Lovely Rita
22- Everybody Out There
23- Eleanor Rigby
24- Being for the Benefit of Mr. Kite!
25- Something
26- Ob-La-Di, Ob-La-Da
27- Band on the Run
28- Back in the U.S.S.R.
29- Let It Be
30- Live and Let Die
31- Hey Jude
Bis
32- Day Tripper
33- Get Back
34- I Saw Her Standing There
Bis
35- Yesterday
36- Helter Skelter
37- Golden Slumbers

Logo menos tem mais, até.

domingo, 16 de novembro de 2014

#discodasemana - Outubro/2014

Oi povo bonito!!!

O mês tá sendo corrido, por isso a demora na postagem das resenhas do mês passado. Mas aqui estão elas. Caso queiram acompanhar as resenhas via instagram, só seguir o perfil: @hadouken_sp ou acompanhar a hashtag "#discodasemana ...

Vamos ao que interessa, bons sons.

 Kula Shaker - "K"

Eis aqui o disco mais espiritual do brit pop da década de 90, "K" do Kula Shaker. Um disco de rock (mesmo que muito mais espiritualizado do que qualquer um) absurdamente calcado nos anos 70. Guitarras, muitas guitarras. Crispian Mills as pilota com maestria. Com toda a certeza era um dos maiores músicos da cena inglesa na época. Cozinha pesada e competentíssima e os teclados mais bacanudos da ilha, tocados pelo fodástico Jay Darlington (que depois veio a tocar com o Oasis).

Fizeram um disco ímpar na história do rock ao misturar a sonoridade dos anos 70 com a ideologia hindu. E que mistura pra lá de inusitada. Conseguem imprimir sua crença sem que isso seja chato. Há uma cacetada de elementos da cultura hindu em seu sim. Tablas, cítaras e vocalizações baseadas em escalas orientais.

O disco todo é ponto alto. Do petardo rocker em "Hey Dude" com riffs pesados, a acústica/psicodélica "Temple of Everlasting Light", os ingleses mostram um caldeirão de ótimas referências para fazer um disco coeso e muito bem composto. Ponto mais que positivo para os mantras musicados "Govinda" e "Tattva" que elevam a audição do disco a outro nível (de consciência e concepção musical, a ideia é pra la de genial) e a homenagem a um dos pais da psicodelia, Jerry Garcia (ex-Grateful Dead) na faixa "Grateful When You're Dead/Jerry Was Dead" é um golaço.

Com toda a certeza, "K" é um dos melhores discos da década de 90, pena que passou desapercebido pelo grande público, o que é uma das maiores injustiças do rock. Ouça ontem. Namastê!!! #discodasemana #disco #rock #rockmusic #psicodelia #1996 #hindusongs #indian #hindu #kulashaker #k #ducaráleo #monstruoso #prediletosdacasa #amomuitotudoisso

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The Black Keys - "Turn Blue"

Como continuar sendo relevante e inventivo após lançar o disco mais elogiado da carreira? Qual o próximo passo? O que fazer?

Imagino que estas perguntas permearam a cabeça de Dan Auerbach, a mente criativa dos Black Keys durante o processo de composição de "Turn Blue", seu mais recente disco. Embora calcado nos timbres blueseiros de sempre, eles fizeram um disco mais introspectivo.

Diametralmente oposto ao anterior "El Camino". Enquanto o anterior era pra cima, alegre, solar, este "Turn Blue" é soturno, solitário, por vezes triste até, mas isso não faz dele um disco menor, pelo contrário, mostra que os caras passeiam por todos os lados e conseguem fazer ótimas canções devido a isso.

Timbres e sonoridades vintage são a tônica desse disco. Mesmo na introspectiva faixa título, a timbragem antiga é uma clara referência. Conseguem ser plurais: há rockões típicos como em "Bullet in The Brain", baladas classudas como "Waiting on Words" e "In Our Prime", e canções mais pop para chacoalhar o esqueleto, como "Fever".

Apesar de mais introspectivo, ainda é um disco de rock. O ponto alto é "The Weight of Love" e sua introdução cheia de slide guitars e timbres insanos. Podiam repetir a fórmula do disco anterior e manter-se em evidência, mas fizeram melhor, conseguiram destaque por fazer um disco inesperado. E pra isso tem que ser sacudo de verdade, e os Black Keys foram. Mérito pra eles. Discão!!! Um dos sérios candidatos a melhores de 2014. Fácil. #discodasemana #disco #blackkeys #turnblue #rocknroll #rock #rockmusic #vintage #Ducaráleo #bomdemais #melhoresde2014 #bluesy #prediletosdacasa

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O que fazer quando você já experimentou de tudo na música e ainda busca pelo novo, pelo inusitado? Essa pergunta deve permear a cabeça de Thom Yorke e da rapaziada do Radiohead o tempo todo, e deve ter sido a base para a composição de seu sexto álbum de estúdio, o genial "In Rainbows". 

Musicalmente falando, é uma síntese de todas as fases da carreira dos caras. Do experimentalismo eletrônico (da fase "Kid A" e "Amnesiac") em "15 Steps", passando pelo esporro e guitarrístico (da fase "Pablo Honey") em "Bodysnatchers" e pelas fases deprês existencialista (de "The Bends" e "Ok Computer") em "Nude" e "All I Need", tudo aqui é feito com a magistral competência Radioheadiana. 

Está tudo no seu devido lugar, as guitarras do Johnny, as vozes do Thom e do Ed, o baixo pesado e cavernoso do Coz e a batera econômica do Phil. 

Se tudo corre pelo certo, qual a diferença e genialidade desse álbum pros outros? A forma de distribuição. Isso mesmo. Eles colocaram à época o álbum para ser vendido em seu site e cada um pagava o que achava justo. Claro que havia um valor mínimo, mas a ideia em si já foi revolucionária e o álbum vendeu muito mais que o esperado. 

E independente de quanto se pagasse, esse álbum vale cada centavo. Parece uma coletânea de tanta música boa. É um disco desigual, alterna momentos mais introspectivos com momentos mais alegres, mas tudo na medida certa, nem deprê demais, nem feliz demais. Uma meia estação. Aquele clima típico inglês. Não conseguiria indicar uma ou duas músicas, ouça tudo, de preferência com bons fones de ouvido. A experiência é absurda. 

Não a toa o Radiohead é abanda mais genial de sua geração, se reciclam, se reinventam a cada novo disco. Longa vida a Thom Yorke e cia. Disco mais do que recomendado, essencial. #discodasemana #disco #radiohead #inrainbows #genial #foda #Ducaráleo #duk7 #rock #indie #essencial #prediletosdacasa

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Cara, que disco é esse?! SENSACIONAL!!! O Gram, após 7 anos de hiato, volta com os dois pés no peito, cobrando o seu posto de melhor banda do rocknroll brasileiro (com méritos e direitos) e lançando o principal candidato a disco do ano (entre os nacionais, fato consumado). 

Após o fim abrupto e inesperado em 2007 com a saída do vocalista e principal compositor, Sérgio Filho, como continuar? Levou um bom tempo para que os remanescentes (Fernando Falvo: bateria, Marcello Pagotto: baixo e o gênio Marco Loschiavo: guitarras) conseguissem equalizar o término e se reconstruírem como banda e unidade. 
Infindáveis pedidos públicos de volta, e várias conversas com o ex-vocalista aconteceram sem que se houvesse um consenso sobre o retorno. Ao final, optou-se pela continuidade, mas com um novo vocalista, Ferraz foi incorporado e deu o gás que eles provavelmente precisavam pra voltar a ativa, da mesma maneira inesperada com que foram.

O disco, praticamente um EP com 7 canções, e menos de 40 minutos, nos deixa sedentos por mais novidades. Abre guitarreiro com "Sem Saída", a escolhida pra ser o single de estreia. O disco é plural, muito diversificado. Da balada cheia de slides e violões e letra genial em "Toda a dor do mundo" ("... e tão bela é a luz que ilumina sem perguntar por que, por ser tão breve de si...") a levadas hendrixianas em "Meu tom", mostram que não perderam a mão e que evoluíram nesse tempo longe. 

Ecos de rock inglês dos anos 90, cozinha magnificamente bem formulada, guitarras cheias de personalidade e criatividade, e violões que são um recurso muito utilizado nesse novo trabalho dos caras, são a base para a voz de Ferraz que se impõe a frente da banda e mostra que é uma grata e positiva surpresa, principalmente em "Sei" onde o vocal realmente toma a frente. O mais bacana, foi contarem com o aval e apoio do antigo vocalista, que deu a sua benção pra que essa volta acontecesse, e se declarou fã dessa nova formação. 

Tô ansioso pra ver essa pérola ao vivo. Se não for o disco do ano, na minha lista vai figurar entre o top 3. Mais do que recomendado, essencial. O Gram mais uma vez nos dá uma aula de rocknroll cosmopolita e contemporâneo. De longe, a melhor banda do rock brasileiro está de volta. Louvados sejam os deuses do rock que ouviram as minhas preces e de tantos outros. Vida longa e próspera, Gram. #disco #discodasemana #Gram #outroseu #melhoresde2014 #foda #Ducaráleo #atéqueenfimvoltaram #essencial #discotecabásica #prediletosdacasa

Mês que vem, tem mais.

Até.

domingo, 5 de outubro de 2014

#discodasemana - Setembro/2014

Buenas, povo.

Aqui estão as resenhas feitas durante o mês de setembro no meu perfil do Instagram.

Caso queiram acompanhar por lá, é só seguir: @hadouken_sp ou usar a hashtag #discodasemana ...

Let´s rock!!!




Um verdadeiro disco de rock, é assim q defino esse quinto trabalho dos galeses. 

Cru na medida certa, melodioso na mesma proporção, os caras acertaram a mão e lançaram um dos melhores discos da década passada. Do esporro de "Girl", à sensibilidade de "Lolita", nada sobra por aqui. O disco é completo. 

Ganharam em competência com a entrada do batera argentino Javier Weyler, que faz da cozinha, junto com o baixo, algo consistente e preciso. Há alguns efeitos, tecladinhos e afins, adicionais que casam perfeitamente com o clima das canções, não há exageros, é tudo muito preciso. As guitarras também, acertaram a proporção: distorção e melodia na medida certa. A voz do Kelly Jones é a cereja do bolo. Nunca cantou tanto. Melodia, clareza, dicção e aquela rouquidão clássica, que faz com que ele seja inconfundível. Posso dizer sem medo de errar que falamos aqui de uma das maiores vozes do rock britânico e talvez mundial. Canta muito esse menino. 

Discaço. Provavelmente o melhor da carreira dos caras. Ah!! Só pra constar, ainda tem "Dakota", pra mim, é "a música" dos caras. Simplesmente perfeita. Recomendadíssimo. Baixe, compre, roube, peça emprestado, mas não deixe de ouvir. Até. #disco #discodasemana #stereophonics #languagesexviolenceother #rocknroll #rock #brit #clássico #discaço #fodademais #incrível #amomiitotudoisso #Dakota #prediletosdacasa

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Manolo, que cacetada esse segundo disco dos cariocas do Autoramas. Sensacional!!! 

Deveria ser considerada até como coletânea de hits, dada a quantidade de clássicos presentes nessa bolachinha. Abre esporrento e romântico com "Você Sabe" e termina instrumental e insano com "HxCxIx", mas com um miolo de qualidade absurda, "Nada a Ver", "Rei da Implicância", "Resta 1" e "O Inferno são os Outros", essas duas últimas na voz da ex-baixista, Simone Dash. 

Disquinho gravado com a formação original, alem de Simone, Bacalhau na batera e Gabriel Thomaz na voz/guitarra. Um puta disco de rock. Uma caldeirão de boas influências: garage, punk rock, jovem guarda e new wave, ou seja, os Autoramas fazem o que prometem, rock pra dançar. 

Produzido e gravado como nos anos 60/70, em analógico e com instrumental quase todo gravado ao vivo, numa paulada só. Sem medo de errar a mão na sonoridade vintage. Esse disco cheira a distorção valvulada. Que timbres. Guitarras cheia de efeitos de "echo", "tremolos" e "vibratos", alem daquele drive orgânico que só um belo par de válvulas EC84 são capazes de dar. O baixo, com uma distorção do capeta. Pesado. A batera minimalista e seca, sem efeitos de gravação. Só cacetada e ritmo. Se não é o melhor trabalho dos caras, ta bem perto disso. Um baita disco. Fodástico. Ouça ontem. #discodasemana #disco #foda #autoramas #nadapodepararosautoramas #segundo disco #rock #rrrrrock #driveorganico #vintage #classudo #discaço #brasil #prediletosdacasa #retrôsemservelho #rockpradançar #eupiro

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Ah se todo disco de blues fosse assim... bruto, virtuoso (sem ser chato), dinâmico e com os dois pés no rocknroll, eu ouviria muito mais blues do que ouço geralmente. 

John Mayall e seu "dream team" bluesy fazem um disco de gente grande, de quem sabe o que está fazendo e o faz com gosto. Banda competentíssima, baixo pesado, guitarra rítmica regendo o negócio todo, o piano de Mayall pontuando e dando corpo pro som, a batera absurda (com um solo típico de jazz sem soar chato), além das gaitas e metais que fazem um lance diferenciado do blues comum. A voz rouca de quem tomou whisky demais de Mayall é um caso a parte. Interpreta as músicas com um feeling do cacete, sofrido até, mas com uma veracidade de causar inveja a muitos "cantores" que se acham demais. 

Tudo aqui é coeso e é feito em cima de "jams sessions", onde os músicos gravam o que estão tocando ao vivo, isso é pra bem poucos. Tem que tocar demais pra gravar um disco nessa pegada. Formato típico dos anos 60, que é quando essa obra atemporal foi gravada. Simplesmente a minha redescoberta, ou até a descoberta do blues. Não poderia querer começar melhor. 

ps: A guitarra mágica que eleva o disco à condição de clássico é de ninguém menos que Eric Clapton, e sobre esse cidadão, não precisamos tecer comentários. "Clapton os God". #discodasemana #disco #johnmayall #bluesbreakers #Ericclapton #beanoalbum #blues #rock #clássico #fodástico #Ducaráleo #auladecomotocar #discaço #claptonisgod #guitarra #amomuitotudoisso

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Ronnie Von faz ao mesmo tempo um dos melhores discos de música brasileira e o maior suicídio comercial da história. Junto a Arnaldo Saccomani e do maestro Damiano Cozzela, introduzem a psicodelia na música nacional com ecos de Beatles e Beach Boys, orquestrações e guitarras garageiras. 

Abre com poesia em "Meu Novo Cantar" até entrar em uma levada pra lá de garage rock, passa por orquestrações sinfônicas com letra surrealista em "Espelhos Quebrados", guitarras com distorções Hendrixianas em "Silvia, 20 horas, domingo", passa pelo cancioneiro tradicional, onde mistura guitarras e efeitos, até terminar na circense "Canto de Despedida". 

Um disco amplo, plural que mostra a genialidade de um Ronnie inquieto que teve coragem pra fazer um dos discos mais impensados e anos luz a frente de sua época. Só passou a ter valor após 2000 quando foi eleito o melhor e mais raro disco de música psicodélica do mundo por uma renomada revista. A volta por cima de um gênio incompreendido. Disco irrepreensível e essencial. Isso significa que tio Ronnie é ducaráleo? Significa!!! #discodasemana #disco #rock #rockmusic #psicodelia #vintage #classico #ducaráleo #monstruoso #prediletosdacasa #amomuitotudoisso

Logo menos, tem mais.

Até.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

#discodasemana - Agosto/2014

Buenas,

Agosto foi um mês atípico, teve 5 semanas, logo, 5 resenhas novas pra vocês.

Caso queiram acompanhar pelo instagram, é só seguir: @hadouken_sp ou usar a hashtag "#discodasemana ...

Vamos ao rocknroll que é o que interessa:

 "(Whats the Story) Morning Glory?" - Oasis

Clássico da minha adolescência. Me acompanha desde 1995, quando saiu.

Esse disco é a afirmação do Oasis, o temido segundo disco cheio de expectativa e responsabilidade. Aquele q costuma derrubar os mais incautos, mas isso não acontece aqui, nem de longe. Esse disco nada mais é do que uma coleção de pérolas que mostra ao mundo a genialidade de Noel Gallagher e da com que seu irmão caçula, Liam, se roa de ciúmes.

Disco todinho composto pelo Gallagher mais velho que aqui é amparado pela segunda formação dos caras. Aquela aura rocknroll do primeiro disco é um pouco deixada de lado com a troca do batera. O novo, Alan White é muito mais técnico, mas não tem o feeling nem a pegada rocker de Tony McCarroll, o batera sumariamente expulso da banda, pois pros irmãos, ele não tinha habilidade suficiente. Os outros comparsas de sempre pra segurar a onda, "Bonehead" Arthurs (na guitarras) e Paul McGuigsy (no baixo).

O disco abre rocker com "Hello", numa continuação direta do primeiro disco, depois oscila entre alguns pops, outros rocks e o ponto alto desse disco, as baladas. São essas as músicas que mais pegaram e fizeram a fama da banda (popularizou monstruosamente o trabalho dos caras). O final do disco é épico com a baladaça "Champagne Supernova" com refrão grudento pra cantar a plenos pulmões e solo marcante do Gallagher mais velho.

Um disco conciso, bem feito, que mostra o crescimento de uma banda em pleno vôo. Um dos discos que mudaram minha vida. Simplesmente sensacional. #disco #discodasemana #oásis #whatsthestory #noel #gallaghers #rock #britpop #eupiro #clássico #foda #prediletosdacasa

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"Everything Must Go" - Manic Street Preachers

Como continuar após o trauma de perder seu principal letrista? O cara simplesmente escafedeu e nunca mais foi achado.

Decidir continuar foi uma atitude adulta e sensata. Mas recomeçar nunca é fácil, mas os Manics o fizeram com maestria. Substituíram a segunda guitarra do amigo sumido por orquestrações, pianos/teclados, violinos, harpas e fizeram as músicas mais bem arranjadas da sua carreira.

Dos rockões como "Austrália", "Enola/Alone" e "Further Away", às orquestrações e lirismos de "A Design For Life" e da faixa título, tudo soa como Manic Street Preachers, mesmo que não seja como de costume. Tiveram que evoluir na marra.

Nesse disco consta também a ultima canção escrita por Richey James antes do chá de sumiço, "Kevin Carter", com as guitarras típicas dos Manics de outrora e o refrão. Pra cantar a plenos pulmões. Ah!! Quanto a cantar, JD Bradfield nunca cantou tanto como neste disco.

Quando dizem que tudo deve seguir em frente ("Everything Must Go", em português), eles levam isso extremamente a sério e fazem a sua obra prima. Talvez para mostrar ao mundo como eram capazes, ou como um pedido de desculpas a Richey por terem continuado, tanto faz. Eis o ápice dos galeses nessas 12 faixas. Disco de gente grande. #discodasemana #disco #rock #manicstreetpreachers #msp #everythingmustgo #eupiro #guitarras #foda #épico #melhor #prediletosdacasa

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 "48:13" - Kasabian

Caos. Se pudesse definir esse disco novo do Kasabian em uma só palavra, seria essa.

Já começa bizarro pela capa pink e a única imagem (que não é imagem) é o tempo das músicas. Seria um novo conceito ou preguiça mesmo?

O disco começa cheio de barulhinhos com a instrumental "Shiva", depois a pedrada, arrasa-quarteirão"Bumblebee" (séria candidata a música do ano), uma cacetada com baixo pesado, batera surrada, voz distorcida, backings cavernosos e guitarras pontuais. Ai entramos em outra máxima sobre os caras: Pra que serve a guitarra do Pizzorno? Figuração? Se fosse só a do Jay Mehler ja estaria de bom tamanho, mas se insistem em 2, quem sou eu pra falar?

Impossível não comparar esse disco aos trabalhos do Primal Scream, a mistura de rock com música eletrônica é latente e indissolúvel no som dos caras. Mas mesmo parecendo tanto, nota-se que é influência, referência, não cópia ou plágio. Um disco não linear, ao mesmo tempo que há músicas pra curtir na pista e pra cantar a plenos pulmões em festivais, há espaço para a bucólica "S.P.S.".

Conseguiram evoluir ao longo dos anos e fizeram esse discasso (desde já, candidato a melhores de 2014) mostrando que a fórmula não se esgota com facilidade. Pode não mudar a vida de ninguém, mas é uma puta trilha-sonora pra uma festa pra lá de animada. Fica a dica. Recomendado. #disco #discodasemana #kasabian #4813 #rock #electronic #indie #duk7 #bompacas #melhoresde2014 #eupiro #capafeiadok7

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 "Lonerism" - Tame Impala

Chapação e viagem. Os australianos revisitam a psicodelia dos anos 60 e 70 como se ainda por lá estivessem.

O álbum começa seco, com "Be above it", que até explodir, nem parece a mesma banda que gravara anteriormente o fodástico "Innerspeaker". Essa primeira faixa está muito mais pra algo eletrônico/experimental do que pra Tame Impala.

A Piração e a imersão nos sons de outrora começam em "Endors Toi" e tem o seu pico em "Apocalypse Dreams" (pra mim a melhor faixa dos caras, a síntese do que é o Tame Impala), e daqui pra frente o álbum se torna uma viagem sem volta, psicodélico e viciante, te leva para estados alterados da mente, principalmente se estiver ouvindo através de fones de ouvido.

Tudo é perfeito, tudo soa vintage, tudo soa de época, o que é a maior virtude dos caras. Eles não soam como cópia. Teria feito bonito em Woodstock ou em qualquer outro festival psicodélico dos anos 60 ou 70. Soam consistentes e verdadeiros. Baixo pesado, batera crua, guitarras cheia de efeitos, teclados, muitos teclados e voz, etérea, como se viesse direto de um sonho. Pra ouvir assistindo Alice no País das Maravilhas, doidaço. Ou pra entrar em uma viagem sonora apenas com a musica como combustível de chapação. Simplesmente alucinante. Recomendadíssimo. #disco #discodasemana #tameimpala #lonerism #psicodelismo #rock #rockmusic #viajandão #60s #70s #Ducaráleo #foda #discaço #presiletosdacasa #muitobom

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 "Into the Sun" - Sean Lennon

Impossível não comparar o caçula do clã dos Lennon com seu próprio pai, o ex-beatle. A voz é incrivelmente parecida, mas as semelhanças musicais acabam por ai.

Sean se mostra um artista cosmopolita e plural. Em seu disco de estreia, o fodástico "Into The Sun", monta uma colcha de retalhos sonora, um caleidoscópio musical com uma banda de responsa que contava com a participação de Yuka Honda do Cibbo Matto nos teclados e que chegou a fazer um show absurdo no finado Free Jazz Festival.

O disco abre esporrento com "Mistery Juice" e se transforma, bossa nova em "Into the Sun", em jazz em "Sean's theme", pop romântico em "2 fine lovers", indie rock em "Home" e segue em deu caldeirão. Nenhuma musica é igual a outra, mas em todas podemos ver que suas influências dao atemporais, mas há um pezinho no vintage, na escolha dos timbres e sonoridades. Atual com filtro antigo.

Mesmo o disco tendo sido lançado em 1998, ainda me traz uma sensação de frescor que não percebo em muitas bandas atuais. Uma pena esse disco não ter feito o devido sucesso por aqui. Houve uma tentativa nanica de divulgação por parte da Mtv Brasil, mas foi insuficiente pra fazer o disco pegar. Uma enorme injustiça. Um dos melhores discos de estreia da década de noventa e desde sempre um dos #prediletosdacasa ... Sensacional e pra lá de recomendado. #ficaadica #rock #Music #seanlennon #intothesun #disco #discodasemana #anos90 #plural #foda #duk7 #filhodojohn #Lennon #sensacional #amomuitotudoisso

É isso ai ... mês que vem, tem mais!!!

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

#discodasemana - Julho/2014

Buenas povo,

Novidades no front. Tô escrevendo sobre música em um blog maior, do meu amigo Ricardo Marques, pra dar uma olhada, acessem: www.umblogqualquer.com.br

De uns tempos pra cá, toda semana tenho postado alguma resenha ou alguma novidade musical através do meu perfil do instagram: @hadouken_sp, pela hashtag "#discodasemana" e uma vez por mês vou juntar todas essas resenhas em um post novo por aqui. Esse blog não vai se resumir apenas a essas compilações, prometo. Ainda vou continuar com os posts regulares (mas sem frequência definida).

Chega de enrolação e vamos às resenhas de Julho/2014:

"Hatful of Hollow" - The Smiths

Venho com uma das maiores pérolas musicais da história. A minha primeira banda, a que me acompanha desde mais tenra idade (agradeço às minhas tias por isso).

Coletânea de pérolas compostas pelos maiores gênios dos anos 80, a dupla dinâmica Morrissey/Marr, que explicitou e musicou a juventude da época e que marcou toda a minha geração com letras ácidas e instrumental de um baita bom gosto.

Bateria econômica (mas com alguns contratempos que são incompreensíveis, mas épicos), baixo maravilhosamente bem tocado, a voz do Mozz afetada como sempre, mas cantando como nunca e a cereja do bolo, a guitarra mágica do Johnny Marr (o maior guitarrista dos 80 e um dos meus guitarheroes). Músicas que viraram hinos de uma geração e que são atemporais e ainda fazem sentido. Amores, desamores, política, bullying, tudo é motivo pra verborragia de Morrissey e sua turma. Foram como um cometa, em 4, 5 anos de carreira, deixaram um legado absurdo pra toda a cena musical inglesa vindoura. Simplesmente um dos meus discos preferidos de todos os tempos. Recomendadíssimo!!! #disco #discodasemana #rock #smiths #80s #clássico #foda #ducaraleo #duk7 #bomdemais #guitarra #guitarhero #mozztheboss #hinos #prediletosdacasa #amomuitotudoisso

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"Give It To Her" - Gallygows

Descoberta antiga já, conheci em um programa da TVE espanhola (quando esse canal fazia parte do pacote da tv por assinatura), lá pros idos de 2002 e só agora, via YouTube tive acesso ao seu disco de estreia (não achei pra baixar em canto algum).

Esses espanhóis fazem um som calcado no indie, mas com uma pegada mais pop, cheio de tecladinhos bacanas e guitarras sem muito peso, mas isso em momento algum soa como demérito, compensam a ausência de peso com um baixo muito dançante e uma batera suave. O jeito como colocam as vozes lembra muito o Teenage Fanclub da fase "Grand-Prix", aquela vocalização dobrada característica das bandas dos anos 60, o q pra esses caras fazem muito sentido.

Um soft-rock pra lá de bom, cantado em inglês (o que é uma pena), com uma cozinha pra la de competente, arranjos muito bem elaborados e vozes muito bem postadas e de uma afinação absurda. Em bom espanhol, me gusta. #disco #discodasemana #indie #pop #Ducaráleo #duk7 #espanhóis #tretadeachar #bomgosto #descobertas #eupiro #megusta #recomendadíssimo

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"The Suburbs" - Arcade Fire

Apaixonante!!! É assim que defino esse disco. A superação do que até então parecia insuperável.

Como ir além de dois trabalhos considerados perfeitos? No terceiro disco, a crítica pode ver que eles ainda não tinham ido além. É aqui, com " The Suburbs" que eles mostram seu verdadeiro potencial.

Lirismo, Rococó, Pop, Guitarras, instrumentos inusitados, Reginè Chassagne, Bom Gosto e talento pra mais de kilometro.

Começa épico com a faixa título, de refrão pra cantar a plenos pulmões (assim como fiz no Lollapalooza) e fecha com a continuação da faixa 1 (The suburbs - continued) ... mas o miolo entre o começo e o fim, Taqueospariu, só pérolas. Do pop barroco em "Rococó", à batida oitentista de "Half-life II", tudo soa coeso, mesmo com esses anacronismos, os canadenses soam mais atuais que a maioria das bandas de hoje. Retrô sem ser nostálgico. E ainda tem "Ready to Start", que pra mim, é o ápice das criações Arcadefireanas. Aqui sim eles atingem a perfeição: Pop, rock, retrô e atual, tudo na mesma faixa. Simplesmente foda!!! Guitarras, teclados, violinos, baixo, bateriaS e as vozes, não há destaque individual, apenas espaço para a comunhão de músicos apaixonados pelo seu próprio som e dividindo suas pérolas conosco.

Sem mais, ouça e tire suas próprias conclusões. #disco #discodasemana #arcadefire #thesuburbs #foda #clássico #épico #eupiro #rock #pop #retrô #vintage #atual #prediletosdacasa

Mês que vem tem mais. Abrazz!!!

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Rocknroll além das fronteiras

O bom filho a casa torna, tô de volta ...

Fiquei uma cacetada de tempo sem escrever mas vou tentar suprir essa ausência com postagens em prazos mais curtos ...

Nesse tempo fora, muita coisa mudou, mas como o lance aqui é música e não a minha vida, vamos falar de boa música.

Ando pirado na cena post-punk da Bielorrússia e até fiz uma resenha de algumas bandas de lá no blog do meu grande amigo Ricardo Marques (onde fui convidado a escrever), o "Um Blog Qualquer".

Nesse post de hoje, reproduzo aqui uma parte dessa resenha, vou falar de uma das bandas que mais tenho ouvido nos últimos tempos, o Akute.

A primeira banda bielorrussa a ganhar a minha atenção foi o Akute (o pior é falar da banda pros amigos que te olham com aquela cara de "Você bebeu?" e nem saber se a pronúncia do nome como ando dizendo está correta. Pronuncio do jeito que lemos em português mesmo.). Banda oriunda da cidade de Mogilev e que conta em sua formação com: Raman Žyharau (baixo e vocais), Stas Mytnik (voz e guitarra), Pavel Filatov (bateria).

O Akute, é uma clássica banda de post-punk. Ao ouví-los, senti-me em Londres, início dos anos 80, aquela safra magnífica de bandas: Joy Division, The Cure, Wire, Echo & the Bunnymen, e tantas outras. Uma sonoridade revisitada com um talento sensacional que faz com que o som não soe datado, mesmo estando óbvias as referências. No caso do Akute, nota-se claramente a influência gigantesca do Joy Division, uma sonoridade mais soturna, com bateria dançante, baixo bem marcado e guitarras criativas e barulhentas. A voz, é um caso à parte. Primeiro por cantarem em seu idioma pátrio (impossível cantar junto!!!) e segundo porque provavelmente eles coloquem alguma coisa na água daquele povo, ou mais provavelmente, a quantidade de vodka que consomem por lá, faz com que todos fiquem com um timbre parecido com o do Ian Curtis (vocalista do Joy Division, morto em 1980).

Eles tem 2 discos lançados, o primeiro chama-se "Dzievacki i Kosmas" e é de 2011 e o segundo e mais recente, chama-se "Nie isnuje" e é de 2012. O disco que mudou a minha opinião sobre o rock feito do outro lado do mundo, foi o de 2012, e que grata surpresa. Começa incendiário, com "Krou by vada", faixa que já coloca os saudosistas pra chacoalharem o esqueleto no baile, e que ao mesmo tempo consegue ser dançante e vigorosa, com um final épico. Conforme as faixas vão passando o disco se mostra ao mesmo tempo retrô e moderno. Não ouço só passado no som dos caras, ouço resquícios de coisas atuais como "the Killers" em "Jany pad snieham". Talvez o resquício mais oitentista e descaradamente retrô esteja em "Špital". Mesmo com alguns elementos eletrônicos e modernos, o som dos caras é calcado na década de 80 e isso, em momento algum soa pejorativo, é uma das maiores virtudes dos caras, estruturar-se e conceber algo novo baseando-se em algo que já tinha sido feito anteriormente (provavelmente quando nenhum dos caras era nascido).

Fica difícil apenas conceituar, é muito mais fácil deixar a iguaria pra que vocês apreciem. O link pro álbum dos caras tá aqui: https://soundcloud.com/akute/sets/nie-isnuje/

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Desfecho

Caso alguém tenha ficado curioso com as postagens do meu bode, inferno astral, karma ... chame como quiser ... a situação que levou a ele teve um desfecho. Não foi do jeito que eu queria, foi o fim.

Definitivamente o fim ... Já faz mais de mês ...

Doeu, machucou, magoou ... naqueles primeiros momentos, você passa só a pensar em asneira, não ter vontade de nada ... torna-se um martírio dormir (só quando chegava a exaustão física, as vezes após 48 horas acordado, direto) e mais martirizante ainda era acordar, sem perspectiva alguma, sem chão, sem saber o que fazer e como seguir, perdido ... As cicatrizes ficaram (e serão eternas), mas a dor diminuiu ... o que era amor, hoje é mágoa e ressentimento (amor e ódio caminham lado a lado) ... quem sabe um dia, tudo isso passe ... enquanto isso, sigamos em frente.

Agradeço sempre ao universo por me proporcionar uma família e amigos maravilhosos, com os quais posso contar quando for ... Vocês (sabem quem são), fizeram, fazem e farão a diferença, sempre.

Agradeço também aos deuses do rocknroll por me proporcionar sanidade (tocar, pra mim é terapêutico, melhor que qualquer psicólogo) ... quando toco exorcizo alguns dos meus demônios, facilita um bocado.

Vi uma imagem na net e acabei me identificando com o momento ... olhem só ...



Tem sido o meu mantra ...

Bom, pra finalizar essa celeuma, vou usar um argumento da pessoa mais sábia que conheço, minha avó, Dona Felícia, do alto dos seus 84 anos, me disse: "Filho, não se preocupa, o que é seu tá guardado. Na hora certa, você encontra".

Pois é. Estou fazendo isso, vivendo um dia de cada vez, deixando o tempo fazer a sua mágica.

Vida que segue.

ps.: Que falta do meu chuveiro a gás!!! :p

ps2: Trilha sonora ... esse blog ainda é sobre música ...







quarta-feira, 26 de junho de 2013

Tá osso ... sinto o fim se aproximando ...

Buenas (pra vocês, pra mim tá osso) ...

Preciso exteriorizar os meus demônios.

A fase tá pra lá de ruim e acho q a hora da definição se aproxima, a espera tá me matando, assim como a incerteza ... e pra esses momentos de angústia, ninguém é melhor que a boa música como companhia.

O clima não tá dos melhores, logo, não esperem uma happy song, algo como "You and Me Song" do Wannadies, tô mais pra Joy Division ... embora seja um trocadalho do carilho que a música feliz seja dos "quermorrer" e a tristonha e soturna seja da "divisão da alegria" ... a vida é mesmo um troço estranho que nos prega peças ...

Tava teoricamente tudo bem, mas, acho que meu castelinho de cartas desabou. Tenho culpa, mas não sou o único culpado dessa história. Nada aqui foi feito sozinho ... e pra me sentir um pouquinho mais down, a de hoje é do Blur (banda prediletíssima da casa). Não conhece? Se mata.

Esse som foi feito após um dos maiores pés na bunda que o rocknroll tem notícia. Foi o fim do namoro do gênio Damon Albarn com a arrasa corações Justine Frischman (do Elastica). O disco onde essa pérola saiu, o incompreendido "13", é todo sobre o fim desse relacionamento.

O disco soa quase todo como um exorcismo. Nele, Damon Albarn tirou tudo o que ainda o magoava dessa história e transformou o amargo em 13 (sugestivo não?) canções fenomenais, que colocam o disco como um dos pontos altos de sua discografia.

Esse som que não paro de ouvir desde ontem de madrugada, se chama "No distance left to run" onde as guitarras de Graham Coxon são desconexas mas de uma singeleza e de uma docilidade sem tamanho e em sua letra, Albarn anuncia o fim. Que não era mais possível fazer nada pela relação, nem por eles. É um pedido de socorro pro amor próprio e um desejo sincero de que a outra pessoa seja feliz como, quando e com quem quiser ...

É triste demais assumir o fim, esse cara o fez com maestria, talvez isso o faça um de meus compositores prediletos. Se estiverem afim de curtir uma fossa, a trilha sonora tá garantida no vídeo abaixo.

Enquanto isso, a vida segue (ao menos deveria) ...

Até.







Como uma canção pode salvar sua vida ...

Boa noite ... embora pra alguns seja bom dia, anyway ... tô de vorta. Hoje não vou comentar disco nenhum.

Ando com a cabeça cheia demais pra conseguir me concentrar em qualquer obra nesse momento. Pois é, todos passamos por momentos difíceis, acho que agora é a minha vez. Como todo momento difícil, de fossa, de saco cheio, de neurose tem a sua trilha sonora pra facilitar a digestão da dita situação adversa, hoje vou falar da minha, que se resume a uma única música, e que bela canção. Estamos falando de uma canção do longínquo 1981, de uma banda estadunidense, da cidade de Boston e que fazia e ainda faz um dos mais poderosos post-punks que temos ideia. São os caras do Mission of Burma

O som dos caras é pra lá de classudo. Baixo muito bem trampado, batera pesada, guitarras cheias de distorção, voz marcante, ou seja, som pra pular, pra dançar, pra encher pista e chacoalhar o esqueleto no baile. Confesso que não conhecia essa versão da música (a original), só conhecia a versão do Moby (que acho bem bacana), mas nem lembrava desse som. Aí assistindo o raio da série da Mtv, a tal da "Menina sem qualidades" e em um dos episódios tem uma banda (que na verdade são os caras do Vivendo do Ócio) tocando esse som, e aí, bateu o estalo!!! Caraca eu lembro dessa música, curti muito no Retrô e talz, mas nem imaginava ouvi-la de novo. Ai me liguei no que o cara cantava no refrão pra pegar o nome da dita cuja. Depois de achar algumas versões bem bacanudas dela, como a do Catherine Wheel e a do próprio Moby, cheguei na original que é essa aqui:



Que som é esse? Que linha de baixo fantástica! Faz uns 3 dias que não ouço outro som. É ela no repeat infinitamente e ela não enjoa.
Se a fase ruim vai passar, eu ainda não sei, mas desde já, agradeço aos caras do Mission of Burma pela ajuda. Valeu.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Redescobrindo os bons sons - Anos 90 - parte 10 - o fim da saga

Buenas pueblo, Seis meses após a última postagem e gozando minhas merecidas férias volto minhas atenções novamente ao meu querido blog. Bom, chega de enrolação e vamos ao que interessa. Hoje o cardápio do dia é um dos discos mais fantásticos e fodásticos de todos os tempos, o indefectível, bem tocado e pesado "Siamese Dream" do The Smashing Pumpkins.
Oriunda de Chicago e à época com sua formação original (a qual eu vi no Brasil em 1996 e ainda acho que foi um dos meus shows top 3 all time), o line-up dos caras contava com o genial/esquizofrênico/egocêntrico Billy Corgan (voz anasalada e guitarras), James Iha (guitarras e backing vocal), a loiríssima Darcy Wretzky (baixo, backing e calças de couro) e o insano/multi-braços Jimmy Chamberlain (batera). Depois de um relativo sucesso para seu álbum de estreia, o pesado e soturno "Gish", Corgan e comparsas se entocaram no estúdio com o incrível e fodão (ainda não era visto assim à época) produtor Butch Vig que dois anos antes produzira um tal de "Nevermind" de uma tal banda chamada "Nirvana" para dar sequência aos trabalhos Pumpkianos.
O período de gravação foi muito difícil para a banda, pois o baterista Jimmy Chamberlin estava viciado em drogas e álcool. Isso afetava tanto a produção, que a banda optou por gravar o álbum longe de Chicago, pois assim Chamberlin teria maior dificuldade para alimentar seu vício. Billy Corgan estava sofrendo de uma profunda depressão na época, além do bloqueio criativo. Por isso, resolveu fazer sessões de terapia não só para ele, como também para os demais integrantes já que James Iha e D'arcy acabavam de romper um relacionamento e se desentendiam constantemente. As consultas à terapeuta foram registradas em vídeo, e lançadas como material extra em Vieuphoria cerca de dois anos depois. Essas consultas tiveram conseqüência na inspiração de Billy Corgan para compor a maioria das letras de Siamese Dream, que falam sobre seu passado conturbado e suas diversas inseguranças. Dado o perfeccionismo de Billy Corgan, as sessões de gravação para Siamese Dream duravam cerca de 16 horas por dia, o que levou a banda a uma enorme exaustão e fez com que os quatro depositassem toda sua esperança no álbum. Caso este fracassasse, o futuro da banda estaria ameaçado. Estas esperanças se concretizaram e Siamese Dream foi um álbum de muito sucesso dentro do rock alternativo, alcançando reconhecimento em âmbito internacional - inclusive alcançando boas posições dentro do mainstream - e projetando o Smashing Pumpkins como uma das bandas que chegaram para ficar. O resultado? A banda conseguiu a primeira nomeação para os Grammy Awards, na categoria "Best Alternative Music Album" e para "Best Hard Rock Performance with Vocal" no ano seguinte. O álbum é de um bom gosto singular. Alterna momentos de puro esporro metaleiro (Geek USA e Silverfuck) com singelezas orquestradas (Disarm) e pérolas pop (Today) para ninguém botar defeito. Começa pesado e cheio de riffs quebrados com "Cherub Rock", e passeia por todas as variações de peso, melodia e arranjo por todo o álbum sem soar enjoativo e pedante. Se tivesse que escolher uma música para não iniciados, ficaria indeciso, mandaria ouvir o álbum todo, mas se perguntarem qual a minha predileta, responderia sem titubear: "Mayonaise". Essa formação chegaria a gravar mais um álbum, o tão foda quanto "Mellon Collie & the Infinite Sadness de 1995 e durante essa turnê de divulgação a banda sofrera um enorme baque pela morte por overdose do tecladista Johnatan Melvoin em uma festinha com o batera Jimmy Chamberlain que após este episódio fora expulso da banda. A banda tá na ativa até hoje. Estão para lançar seu 7º disco de estúdio chamado "Oceania", com uma nova formação (adendo: a atual baixista dos Pumpkins é uma das garotinhas que aparecem na capa de Siamese Dream). Mas não esperem nada tão inspirado quanto este discaço de 1993 que colocou uma pá de cal na minha vida de metaleiro (ouvi o disco, ainda em vinil até furar), fazendo com que eu abraçasse o chamado rock alternativo de vez. Os Pumpkins não são mais os mesmos, mas o talento de Billy Corgan permanece. Esse disco é atemporal!!! Tá lendo ainda? Ainda não baixou? Não tá ouvindo no talo? Se liga ... larga a leitura e ouve esse clássico. Fica a dica.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Redescobrindo os bons sons - Anos 90 - parte 9

Baralho!!! Quanto tempo!!! Quantas novas ... fui saído do meu antigo emprego, arrumei outro, mudei para o meu ap, casei com a mulher da minha vida, passei em um "pseudo-concurso público" e fiquei uma porrada de tempo sem postar por aqui, e senti uma puta falta disso.

Bom, vamos parar com enrolação, e vamos direto ao ponto.
Hoje, vamos falar de uma das bandas prediletas da casa, aqui, o indie encontra a nerdice, os nerds viraram cool, largaram a convenção de Star Wars e montaram uma das melhores bandas formadas na década: o Weezer.



Banda capitaneada pelo eruditasso Rivers Cuomo que no começo da banda estava cursando a hypadíssima faculdade estadunidense de Harvard. Quando lançaram o primeiro disco, o clássico "Blue Album", o nerd de carteirinha Cuomo, deu um tempo na faculdade para, junto com seus asseclas, o guitarrista/vocalista Brain Bell, o batera e nerd master Pat Wilson e o baixista esquisitão Matt Sharp mudar a cara do dito "rock alternativo".

Antes do Weezer, víamos as bandas com visual largado, desleixo musical e uma atitude totalmente "foda-se", após a aparição dos caras, o cenário mudou, víamos um visual limpo, cabelinhos cortados, óculos e cara de bons moços, mas na sonoridade, um esmero na produção, guitarras altas e distorcidas, mas gravadas de maneira orgânica e limpa, batera econômica, baixo pesadão e letras, principalmente as letras que retratavam o conteúdo da massa estadunidense, que não eram os populares da High School, eram a ralé, o povo que vivia às margens da galera hypada. Enfim os "losers" tinham vez e o Weezer era seu porta-voz supremo.

Os caras estouraram e fizeram o mais improvável para uma banda que estava bombando, pararam as atividades temporariamente para que o nerd master Rivers Cuomo pudesse se formar. E é desse hiato que surge o mais clássico disco de sua discografia, o fantástico "Pinkerton", para muitos, o patinho feio da sua discografia.



O disco começa com algo improvável para o Weezer de então: teclados (um Moog bem maroto da o ar da graça em toda a duração da primeira faixa, "Tired of Sex").
Depois dessa estranheza inicial (o que casou com o som dos caras maravilhosamente bem), vimos o Weezer na sua melhor forma: enxurradas de riffs de guitarras (muitas vezes baseados em bandas de metal farofa dos anos 80), cozinha pesada, concisa e econômica e a voz de quem canta para 3000 pessoas do mesmo jeito que canta tomando banho em casa.

Na sequência, vários clássicos com a cara da banda, "The Good Life" (que bem poderia ter saído no primeiro disco), "Across The Sea" com vocal em coro e "Pink Triangle" onde vemos até alguns violões. Cuomo canta sempre do ponto de vista do loser, o cara que quer a garota popular mas ela nem sabe que ele existe ... Coisa de nerd mesmo.
A produção é caprichada, bem mais coeso do que o primeiro disco, não sobra nada e não falta nada (como as vezes acho que alguns Moogs cairiam bem no primeiro disco), tudo está no lugar certo, até os falsetes metálicos de Rivers.

Em Pinkerton, o Weezer soa maduro, é a confirmação de uma baita banda, a maldição do segundo disco passou longe desses caras. Agora os nerds saíram do High School e enfim conseguiram se formar na faculdade. Definir o disco em uma palavra: Amadurecimento (e no ótimo sentido).

Bom, histórias a parte, vamos deixar de enrolação. Divirtam-se com a volta dos nerds. Tá no mesmo lugar de sempre.

Até.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Redescobrindo os bons sons - Anos 90 - parte 8

Poxa, desculpem a porrada de tempo sem postar nada, tô na maior correria: trampo, casa e casamento ... tá corrido pacas ... Mas chega de desculpas. O que importa é que tô voltando a ativa e continuando a saga dos bons sons dos 90 (embora no final dos 10 posts sempre vou achar que faltaram coisas essenciais, mas whatever).

Hoje vou falar de uma das bandas que mais abalaram a minha percepção e entendimento sobre como construir e executar canções, os fodásticos Sonic Youth.



Banda novaiorquina seminal tanto na minha formação como "músico" e ouvinte, tanto na cena indierocker estadunidense e mundial desde o início dos anos 80.

A banda foi fundada em 1981 e inspirava-se nas sinfonias de guitarra de Glenn Branca (com o qual boa parte da banda já tocou), no proto-punk de The Stooges, The Velvet Underground e MC5, na poesia punk de Patti Smith, o Krautrock de Can, o psicodélico garage rock do 13th Floor Elevators, assim como compositores avant-garde, como John Cage. Outro dos diferenciais dos caras é que a banda é aclamada por redefinir o que uma guitarra pode fazer, ao utilizar uma variedade de afinações alternativas e modificar o instrumento, com objetos inusitados, como baquetas e chaves de fenda como forma de alterar seu timbre (sim, Moore e Ranaldo são parte da minha bíblia musical).

A banda desde então é capitaneada pelo guitarrista/vocalista genial e maluquete de carteirinha, o Sr. Thurston Moore (com alguns discos solos fantásticos na mala) e tem como eternos e fiéis escudeiros desde então, sua esposa e baixista (embora ultimamente tenha tocado uma terceira guitarra) Kim Gordon e o genial, barulhentasso e com o timbre de voz mais legal dos 3, o guitarrista/vocalista Lee Ranaldo. A princípio, contavam com o batera Bob Bert que fora substituído em meados dos anos 80 pelo constante e econômico, porém fantástico Steve Shelley. Hoje completa o line-up da banda o baixista Mark Ibold (ex-Pavement, que é outra das bandas prediletas da casa).

Não dá pra citar obras avulsas dos caras, pois tudo o que lançaram é de uma qualidade pra lá de absurda, desde as experimentações da série SYR, até a trilha sonora de filmes, passando por cover dos Carpenters (ecletismo barulhento), mas como a discografia dos caras é pra lá de extensa (e fenomenal), vou falar sobre o primeiro disco que escutei deles e um dos meus preferidos, embora alguns torçam o nariz para esse discaço, o menosprezado, "Experimental Jet Set, Thrash and No Star".



Esse disco, de 1994, veio cheio de expectativas por parte da crítica e do público, pois vem na sequência do hypado "Dirty" que contava com algumas de suas mais fantásticas canções como por exemplo, "Sugar Kane". Posso falar em nome de alguns ouvintes, sobre a bolacha. Como foi o primeiro disco que ouvi dos caras, a minha primeira impressão foi de total estranheza, pois nunca, até então, ouvira algo tão exótico a ponto de hipnotizar-me do começo ao fim da audição. Fiquei extasiado com a construção das músicas, os riffs fugiam do óbvio, era proporcionalmente contrário ao que eu escutava na época (basicamente Ramones), era cheio de guitarras, efeitos, muitos efeitos, distorções, dissonâncias, ruídos, barulhos e aquelas vozes que pareciam ter nascido na minha cabeça de tão natural que me soavam. Ouvindo esse disco, descobri que barulho era música sim, e que era um elemento a ser respeitado.

Começa com a hipponga e folk (o que é estranho até pra eles) "Winner's Blues", até então, só a voz cheia de efeitos me causava estranheza, mas quando entra na sequência o hino "Bull in the Heather", meu queixo caiu, minha cabeça deu voltas na lua e desde então o rocknroll pra mim não fora mais o mesmo. Que sonzeira, que estranha, que simples, como podiam ser tão diferentes e geniais ao mesmo tempo que soavam tão toscos (no bom sentido, óbvio). Aqui o Lo-Fi passa a fazer sentido.

O disco todo é de uma qualidade absurda, passando pelas tão fantásticas "Androgynous Mind" (essa foi a primeira deles que eu aprendi a tocar, toco até hoje), "Tokyo Eye" que tinha a voz de Moore sussurrada no vocal, o que para quem crescera ouvindo bandas onde o vocal era principal premissa, era incabível e fascinante. O disco fecha com outro hino, a fenomenal "Sweet Shine" que tem Kim Gordon no sue auge vocal fechando o disco de maneira poderosa.

Lembro da cara de "ué" que eu fiquei ao final da primeira audição desse discaço. Estávamos na porta do Jackson (grande brother), eu, ele, o Eduardo, o Marrom, o Daniel e o Beto que trouxera a fita (sim, ainda ouvíamos as famosas fitas K7). Acho que fiquei uns 5 minutos sem falar um "A", com os moleques olhando pra minha cara de incrédulo esperando o meu veredito, pois até então, só eu ainda não os tinha ouvido. Só me lembro de ter conseguido soltar um sonoro "puta que o pariu, que foda!". Tomei a fita do Beto e tirei a minha cópia. Desde então este virou um dos discos de cabeceira na minha costrução musical (quisera eu ser genial a esse ponto) e na minha discoteca básica.

Bom, chega de babar ovo. Ouçam e tirem seus próprios vereditos.

Divirtam-se!!!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Redescobrindo os bons sons - Anos 90 - Parte 7

E ai povo, beleza?

Hoje vamos falar de uma das bandas mais bacanas e mais "bonitas" da safra inglesa anos 90. O ELASTICA.

Liderados pela arrasadora de corações Justine Frischmann (fala aê Damon), na guitarra, voz, caras e bocas, contava ainda em seu line-up com Donna Matthews na guitarra e nos lindos olhos azuis, Annie Holland no baixo e o feioso Justin Welch na bateria.



A banda foi formada em 1991 quando Justine saiu do "Suede" e ia numa direção totalmente diferente da banda afetada de Mr. Brett Anderson. Enquanto o "Suede" era teatral, lírico e bem acabado, o "Elastica" era a antítese disso: "praticamente" uma banda de garotas, que tocavam de maneira desleixada, pesado e que faziam músicas pra pular e dançar.

O primeiro single a alcançar alguma projeção nas paradas inglesas, foi "Stutter" de 1993, que fez sucesso através do boca a boca por meio dos esforços de promoção do DJ da Radio 1 e chefe da Deceptive Records, Steve Lamacq.

"Connection", o single seguinte, foi o que colocou o Elastica de vez no mainstream, porém ao mesmo tempo em que a banda estourava nas paradas inglesas e mundiais, havia uma polêmica que encheu bem o saco da banda nesse período. Foram acusados de plágio pelo "Wire", uma outra banda inglesa, por usar sem permissão, a mesma base de "3 Girls Rumba" em "Connection".



O disco de estréia (1994) que contava com os dois singles anteriores, ainda tinha mais uma penca de boas canções: "Car Song" com seu clipe futurista e "2:1" que fez parte da trilha sonora do fodástico "Trainspotting" (se não assistiu, fecha essa página, desliga o PC e vai assistir, é obrigatório).

Após uma longa temporada de apresentações, a banda começou a apresentar problemas pessoais. Em 1997, a baixista Annie Holland deixou a banda, culpando lesões por esforços repetitivos resultados do excesso de apresentações como o motivo de sua saída. Em 1999 Donna Matthews deixou o grupo.

Só lançaram seu segundo disco, o fraco "The Menace", em 2000 com vendas modestas. Uma nova formação foi anunciada com dois tecladistas substituindo Matthews para a turnê seguinte, reestreando em solo britânico durante o Festival de Reading de 1999. Em 2000 se seguiu a turnê de lançamento do disco The Menace com relativo sucesso, apesar disso, as apresentações nos festivais que se seguiram foram comprometidas por doenças contraídas pelos integrantes. O grupo lançou um último single "The Bitch Don't Work" em edição limitada e anunciou o seu fim em setembro de 2001.

Aqui deixo pra vocês apenas o filé. Se conseguir ouvir esse disco sem deixá-lo no "repeat", você não gosta de rocknroll da melhor qualidade. Se conseguir achar esse disco ruim, procure um médico, você está com problemas auditivos.

Sem mais delongas, é só passar no lugar de sempre e retirar o seu. A festa já pode começar, é só dar o "play" e deixar o Elastica tocar.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Redescobrindo os bons sons - "Anos 90" - Parte 6

Oi galerê,

Hoje eu vou falar da banda mais fodona que ja pisou no planeta Terra em qualquer época, tempo e espaço (na minha modesta opinião): os PIXIES.




Bostonianos de carteirinha, capitaneados pelo gordinho mais sangue bom do rocknroll, o Sr. Frank Black (ou Black Francis ou Charles Thompson III) na voz rouca e guitarra barulhenta, a fodaça e hoje "fofa" Kim Deal (ou ex-Mrs. John Murphy - The Breeders e The Amps) no baixo reto e voz infantil, o cara que melhor tira um som de uma Les Paul, o barulhento, insano e filipino Joey Santiago (The Martinis) e o batera cavalar, mosntruoso com voz doce, David Lovering.

A banda foi formada em 1985 e tinha como principais influências o punk e a surf music, embora abusassem das referências hispânicas (majoritariamente nas letras) e de sons mais pesados.

Lançaram 5 discos até separarem-se em 1991. Cada um seguiu o seu caminho até retornarem magistralmente em 2004, fazendo shows disputadíssimos inclusive no Brasil (os quais eu não compareci por falta de $$$ e me bato até hoje por isso).

Nesses shows de retorno, inclusive no último do Brasil (no SWU em 2010) eles tocaram na íntegra o disco mais foda de todos os tempos, o lendário "Doolittle". Mesmo tendo sido lançado em 1989 foi o disco que criou toda a estética do som feito no underground dos anos 90. Por isso está aqui como anos 90, embora seja um disco atemporal.



O que falar de "Doolittle"? Que é uma obra prima? Que não tem uma música que seja no mínimo 9,5? Que influenciou o Nirvana e toda a cena pré-grunge? Ou que é o disco que mudou a minha vida e me fez largar de vez o metal, pois existiam guitarras tão pesadas e musicos mais criativos do que os que eu ouvia anteriormente? "Doolittle" teve este poder, mudou a minha vida e é influência confessa no meu jeito de compor e de tocar.

Diversos temas são abordados nas letras, desde ficção científica e surrealismo, caso da fantástica "Debaser" ou superstições com o número da besta, caso de "Monkey Gone To Heaven".

A produção de Gil Norton é precisa e coesa, esse com certeza é seu melhor trabalho, tanto com os próprios Pixies como em toda a sua carreira. Norton só acertaria a mão novamente com tanta viceralidade no tão foda quanto, "The Colour and The Shapes" dos Foo Fighters. Tudo nesse disco é urgente e viceral. É uma viagem rápida, são aproximadamente 30, 35 minutos de esporro sonoro, guitarras distorcidas, vocal rascante e bateria monstruosa que se transformam na melhor obra ja feita na história do rock.

Chega de lenga lenga, passa nos comments, põe o volume no talo e tente sair imune ao poder dos duendes. Boa viagem com os Pixies.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Redescobrindo os bons sons - Anos 90 - Parte 5

Hola pessoas!!!

Depois de um tempo de vagabundagem pós-Faculdade, tô de volta a blogosfera pra continuar a saga com mais um clássico dos anos 90. Hoje falaremos do fodástico Dinosaur Jr..



Banda estadunidense de Massachussets (como aparece banda boa por lá), capitaneada pelo vocal e Guitar Hero (e aqui isso faz sentido mesmo) de plantão, J. Mascis e que agora volta a sua melhor e mais clássica formação, com o tão foda quanto, Lou Barlow (Sebadoh e Folk Implosion) no baixo/voz e o não menos foda Murph na bateria.

A banda voltou a se apresentar com sua formação clássica em 2005 depois de Barlow ter saído da banda pra formar o Sebadoh. Em 2007 lançaram um novo disco, o elogiado "Beyond" e em 2009 o último disco dessa nova empreitada (até agora) o fodaço "Farm".

Após toda essa introdução e lenga lenga sobre os caras, vamos ao que realmente interessa, o fodaço "Without a Sound" de 1994.



Nesse disco, apenas J. Mascis é da formação original e gravou além da guitarra e da voz, toda a parte da bateria (o cara é bão mesmo). O baixo e os backing vocals ficaram por conta de Mike Johnson.

Aqui, Mascis fez estrago. Compôs e tocou praticamente tudo. É quase como um disco solo, mas sem perder a "cara" de Dino Jr. Canções melodiosas, alegres e viajandonas além dos riffs pra headbanger nenhum botar defeito (conheço uma porrada de metaleiro que piram nas guitarras desse disco, principalmente em "Grab It"), baixo pesado e bateria marcante fazem desse disco um dos maiores clássicos dos anos 90.

O primeiro single desse disco é o clássico "Feel The Pain" que tocou horrores em programas bacanas da Mtv como o finado Lado B e nas indieballads da época, tem um dos riffs mais marcantes do indie rock e um dos clipes mais non-sense dos 90's.

O que esperar desse clássico? Guitarras, guitarras e mais guitarras, além da voz de bêbado de Mr. J. Mascis. Sem mais delongas, escutem!!! Tá no lugar de sempre.

Até mais.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A volta do Boêmio - Redescobrindo os bons sons. Anos 90 - parte 4

Bona sera.

Até que enfim de volta a ativa. Terminada a facu (que parto), agora posso voltar a postar os bons sons e compartilhá-los com vcs.

E continuando com os grandes álbuns dos 90's, hoje to postando um dos meus prediletos da casa all time e que fez com que eu discutisse com vários brothers quanto à qualidade do mesmo (tinha gente que metia a lenha sem nem ter ouvido o álbum todo, só falavam mal de uma canção e não conheciam o resto). Picuinhas à parte, esse post é dedicado ao fodástico "Parklife" do mais fodástico ainda BLUR.



Banda capitaneada pelo workaholic de carteirinha, o vocalista Damon Albarn (Gorillaz, The Good The Bad & The Queen) e que ainda tinha em sua formação o grande e injustiçado guitarrista Graham Coxon (um dos grandes nomes da guitarra na Inglaterra dos anos 90 em frente), o baixista Alex James (Bad Lieutenant) que tocava o baixo mais suingado da ilha e o irreparável e constante batera Dave Rowntree.

Depois de 2 lançamentos, o debut "Leisure" (o meu preferido) de 1991 e o tão bom quanto "Modern Life is Rubbish" de 1993, o Blur já contava com um nome de respeito na cena indie inglesa, mas queriam muito mais, eram bem mais ambiciosos, queriam conquistar a ilha, e fizeram-no com este álbum de 1994.



Nada está fora do lugar. As guitarras rasgadas de Coxom contrapõem-se ao baixo funky de James criando algo único que se tornaria característico desse álbum em diante no som dos caras. Quanto mais suingado era o baixão de James, mas reta, seca e sem firula era a guitarra de Coxom e vice-versa.

Esse petardo conta com algumas das composições mais inspiradas dos caras, vão desde a criticadíssima, dançante e gay "Girls And Boys", até a pedrada de "Jubilee" passando pela inspiradíssima balada "To the End" cheia de arranjos orquestrados e talz e pela pérola indie "This is a Low". Com todas essas disparidades de estilos, os caras conseguem nos mostrar um álbum altamente conciso, inspirado, com punch e suingue na mesma medida. Era o álbum certo na hora certa. Inspiradíssimo se pudesse defini-lo em uma palavra.

Esse disco foi com toda a certeza o divisor de águas na carreira dos caras. A Partir de então o Blur passou a ser respeitado e cobrado como banda grande e não sentiu o peso da camisa, continuou lançando ótimos trabalhos até seu hiato em meados de 2003 quando Coxom abandona a banda no meio das gravações do irregular "Think Tank". Em 2009 retornam com um show antológico no Hyde Park onde ficou provado que a banda ainda tinha muita relevância. Lançaram um documentário sobre o show de retorno e prometem um novo álbum para 2011 o qual aguardo ansiosamente.

Sem mais delongas, deleitem-se com o fodástico "Parklife" do Blur.